30/05/2012

Enteógenos, drogas, psicodélicas e a ânsia pelo infinito

As Portas da Percepção estão abertas


A exploração do desconhecido e terras ignotas tem fascinado a humanidade por séculos um dos locais mais desconhecidos e misteriosos é a mente humana ou a psique Jungiana para ampliar o conceito ou podemos usar outro ainda mais abrangente.

Em sua relação com o universo os seres humanos têm se defrontado com o mistério, alguns escolheram adentrar em profundidade a esta dimensão que é de uma feita assustadora e de outra maravilhosa.Uma das ferramentas para esta exploração são as drogas psicodélicas.

Tudo que esta a nossa volta nos influencia mais ou menos, os alimentos alteram o nosso estado de humor e conseqüentemente a nossa relação com o mundo, a televisão, o cinema as propagandas, a musica e muitas outras coisas idem. As drogas igualmente agem desta forma, mas com uma potencia muito maior, lembrando que por trás desta palavra há uma centena de substancias que agem das mais variadas formas.

Muitas pessoas já abordaram o uso destas substancias, Baudelaire, De Quincey, Crowley,Huxley , Burroughs, Artaud, Timothy Leary, Robert Anton Wilson, John c Lilly, Terence McKenna, Carlos Castaneda, Grof.

Não esquecendo de Marcelo D2 e do super deputado Fernando Gabeira que dispensam apresentações.

O uso de substancias psicoativas é tão antigo quanto à humanidade, inclusive alguns animais fazem uso delas.O diretor do instituto de psicologia experimental da USP César Ades fala a respeito do uso de plantas alucinógenas por primatas, que buscam seus efeitos “eufóricos”.

Nos ateremos aqui as psicodélicas, que aumentam a atividade cerebral e a percepção dos sentidos. Para muitos (este autor inclusive) elas expandem a consciência.

26/05/2012

O Ungüento de Vôo das Bruxas

Witches Sabbath - Frans Franken
O ungüento de vôo, também conhecido como ungüento das bruxas, ungüento verde ou ungüento licantrópico, é um preparado, uma pomada alucinógena, um consenso entre historiadores, etnobotânicos, antropólogos, estudiosos e praticantes das Artes Ocultas e Inominadas. Circe talvez seja a nossa primeira lembrança como referência ao uso de ervas (no caso a misteriosa planta “Molly”) para alterar a percepção de uma pessoa, mas o “fenômeno” é relatado nos mitos e lendas do mundo inteiro: os berserkers nórdicos e os guerreiros celtas (entre outras tribos guerreiras) faziam usos de preparados que “metamorfoseavam” aquele que os ingeriam em animais poderosíssimos, temíveis e incansáveis. Pitonisas se intoxicavam com gases e os xamãs do mundo todo tomam beberagens para “ver” ou “ir” ao “Outro Mundo”.

Mas o que é Alucinação e como podemos entender este termo no contexto em que se aplicava antigamente? Hoje, bem sabemos que este é um estado patológico que indica o “ver ou ouvir” algo que não está lá, mas na sua raiz grega, alyein, indica “vagar sobre” ou “vagar fora de si” e sua sucessão latina, alucinatus, “vagar em sua mente” ou “vagar em imaginação”, e vaticinari – uma revelação, visão ou algo que é revelado. Então podemos redefinir a alucinação no campo da etnobotânica mágica como um estado onde revelações são dadas pela virtude da imaginação. Assim, a pessoa não está vendo algo que não está lá, mas simplesmente alterando os planos de consciência e entrando em uma dimensão de revelações.

Já no século II Lucio Apuleio [1] contou a história de Lúcio, um viajante que se envolve em uma experiência mágica na Tessália (onde ele é transformado num asno), uma região da antiga Grécia conhecida em toda a literatura greco-romana como a pátria das feiticeiras. Ele conta:

17/05/2012

Figueira do Inferno - A Erva dos Feiticeiros - Parte II

Como prometido, hoje vou falar da Datura metel. No artigo anterior cheguei a mencionar algumas das muitas variedades de Datura, mas eu escolhi somente três variações para compor estes artigos: innoxia, metel e stramonium (e eu não vejo a hora de chegar nesta aqui pela relevância histórica e conexão com a bruxaria propriamente!) . A primeira pela relevância cultural, pois raramente encontramos este tipo de Datura aqui no Brasil crescendo livremente nas áreas incultas. A segunda e a terceira são ricas em estudos etnobotânicos e são encontradas em abundância no Brasil, geralmente classificadas como ornamental ou simplesmente “daninhas”, já que nascem muito espontaneamente através de suas diminutas sementes que se parecem muito com os grãos de gergelim preto.

15/05/2012

O Cego que Descreveu o Elefante como um Caralho Enorme

Eu não poderia postar este artigo sem uma necessária e merecida apresentação. Este artigo foi traduzido do blog The Valentines, com a autorização do autor, Ryan. Eu particularmente sou fã dos escritos do Ryan pelo seu estilo provocativo e marcante de ir direto ao ponto, sem delongas, seguindo muito a linha do filósofo Gergio Agamben com uma abordagem, digamos, bem psicodélica - não linear - sobre suas experiências e, sobretudo, magia. Autor de pequenas obras primas significativas para quem estuda ou pratica magia, como “Sutra of the Poison Budda”, ele nos brinda com uma reflexão sobre o uso das nossas tão amadas plantas de poder.  O original em inglês pode ser lido – juntamente com suas outras excentricidades maravilhosas, clicando-se AQUI

Feitiçaria boa, do tipo prático que mantém sua bunda fora do fogo, baseia-se em aceitar o mundo tal como ele é. Não faz qualquer diferença o quão velhos são seus livros ou quem lhe ensinou as frases ininteligíveis para se murmurar, ou quantos talismãs caros e impressionantes você tem. Para mudar o mundo você tem que participar nele e nenhuma grande magia acontecerá se você está trabalhando a fantasia na sua cabeça. Como o mundo deveria ser não é como o mundo é. Como o mundo é retratado a você não é como ele é. Como seus pais lhe disseram que o mundo é não é como ele é. Todo mundo está mentindo. Seu olho direito está numa conspiração meia-boca com seu olho esquerdo. Mesmo os seus olhos estão mentindo para você.

Então eu vou lhe dizer como é.