Obviedades

Outro dia falávamos sobre as obviedades, e do medo gigantesco que às vezes temos de nos entregar a elas.


E talvez isso tenha a ver com a famosa arrogância humana que, do alto de sua torre de conhecimento, não perde tempo com o que é banal demais.



Sabe aquela frase célebre da rainha da p**** toda, "gente feliz não enche o saco?" Pois, a princípio essa não parece ser uma reflexão lá muito complicada, mas já tentou viver isso na prática?


Partindo desse pressuposto, em um mundo surtado desse a gente deve ter até esquecido o que é felicidade. E nesse ponto aparece um daqueles gurus de internet, com alguma fórmula mágica, tentando te vender a ideia de que você nunca a perdeu de verdade!


E onde é afinal que ela está escondida? Onde estão esses caminhos tão simples pras coisas mais importantes da vida?


Os mestres estão sempre cheios (dentro de seus vazios) de conselhos simples para dar a humanidade: o tempo não existe, a separação é uma ilusão, o amor é o caminho, o que está acima é como o que está abaixo. E a obviedade de um milhão de sóis: que para amar o próximo como a mim mesma, preciso antes aprender a ser por mim amada.


Não é bem da profundidade dessas questões de que eu quero falar, mas sim do estranhamento que me dá, da sensação inadequada e infantil que me invade quando depois de rodar um bocado no pensar encontro uma coisa dessas no final do fio.


É que parece que eu fui enganada.


Por aquela velha parte de mim que faz de tudo pra que nada se mude e que ela não seja notada? Então no final era só me abrir pra outros jeitos de pensar? Comer direito, cuidar do corpo, nutrir a mente…


Sabe aquela vergonha que te dá quando alguém chega e te fala: “é só você aprender a se amar”? Aquele tipo de vergonha de revirar o olho que parece que a gente tem do outro, mas que talvez seja só mesmo de não saber se priorizar?



Tem muito barulho.


Nosso aprofundamento nos mistérios da ciência e da tecnologia deve vir mesmo dessa mania de querer entender tudo nos mínimos detalhes, que fez a gente com um olho tão pequeno mas cheios de truques para observar até outras galáxias.


E já não faz algum tempo que tudo anda muito complicado?


Parece que tem uma névoa pairando sobre a cidade. Enquanto a gente briga, preocupa, pira, trabalha, enquanto a gente se distrai, dá o tempo, o corpo, a sanidade, vão ficando cada vez mais "bobas" aquelas nobres e antigas verdades.


Qual é a dificuldade,


que a gente tem quando as coisas são simples demais? Hoje vou pegar um caderninho e anotar:


Ama dentro.

Ama fora.

Aceita.

Direciona.


E chega de diversificar.