5 de dez de 2014

Hino Órfico a Afrodite [Vênus]

“Celeste (Urânia), ilustre rainha de risada amorosa,
Nascida do mar, amante da noite, de um modo terrível;
Astuciosa, de quem a necessidade [Anankê] primeiro veio,
Produtora e noturna, dama que a todos conecta;
Este é teu mundo a unir com harmonia,
Pois todas as coisas brotam de ti, Ó divino poder.
Os triplos Fados [Moiras] são regidos por teu decreto,
E todas as produções se rendem semelhantemente a ti:
O que quer que os céus circundem e contenham,
Toda a produção dos frutos da terra, e o alto-mar tempestuoso,
A ti o balanço confessa e obedece a teu aceno,
O atendente terrível do brumal Deus [Baco]:
Deusa do casamento, charmosa à visão,
Mãe dos Amores [Erotes], que se delicia em banquetes;
Fonte de persuasão [Peitho], secreta, rainha favorável,
Ilustremente nascida, aparente e não-vista:
Esposa, lupercal, e inclinada aos homens
Prolífica, a mais desejada, doadora de vida, gentil:
Grande portadora do cetro dos Deuses, é teu,
Mortais em necessidade tendem a se juntar;
E toda tribo de monstros selvagens horrendos
Em correntes mágicas amarras, através do desejo insano.

Venha, nascida em Chipre, e incline-se à minha prece,
Se exaltada nos céus tu brilhas,
Ou satisfeita com o templo em Síria presides,
Ou sobre as planícies egípcias teu carro guias,
Enfeitada de ouro; e perto dessa enchente sagrada,
Fértil e famosa por fixar teu domicílio abençoado;
Ou se rejubilando nos litorais cerúleos,
Próxima a onde o mar com espumantes vagalhões rugem
Os coros de mortais circundam tuas delícias,
Ou belas ninfas, com olhos de brilhante azul cerúleo,
Satisfeita com os bancos arenosos antigos renomados,
Para dirigir teu carro rápido e dourado de duas parelhas;
Ou se em Chipre com tua bela mãe,
Onde as mulheres casadas te louvam a cada ano,
E as belas virgens se unem ao coro,
O puro Adônis canta tua divindade;
Venha, toda atrativa, para a minha prece inclinada,
A ti, chamo, com mente sagrada e reverente.

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