12 de dez de 2014

Hino Órfico a Natureza


Ó Natureza, deusa mãe de todos, mãe de muitos engenhos, 
celeste, anciã soberana, nume que muito engendra; 
a tudo subjuga sem ser subjugada, governadora oniluzente, 
onipotente, † suprema entre todos. 
Imperecível, primogênita legendária, glorificada,  (5)
da noite e constelada, luzidia difícil de conter,
bem torneado rastro silente no girar dos ciclos,
pura magistrada dos Deuses, perfeita e imperfeita,
partilhada por todos, só tu de nada partilhas,
pai de si mesma e sem pai, amável, muito alegre, magna, (10)
bem flórea tecelã, amiga, repleta de misturas, hábil,
hegêmone, senhora vital, donzela toda nutriz,
a autossuficiente Justiça [Dike]e a Persuasão de muitos nomes das Graças,
Guardiã etérea, terrestre e marinha,
acerba aos vis, doce aos que te obedecem, (15)
em tudo sábia, em tudo dadivosa, nutriente rainha de tudo;
fruticosa, árbitra opima dos maturescentes frutos.
Tu és o pai de tudo, e a mãe; és  nutriente e nutriz,
rápida parteira, venturosa de muitas sementes, o ímpeto das Estações [Horas],
artificiosa, plasmadora, nume dos mares que muito engendra. (20)
Perpétua e movedora, muito experienciada e prudente, 
turbilhonando em semprefluentes remoinhos o seu ágil fluir,
toda fluida, circular, sempre alternante forma,
preciosa de belo trono, só tu distinta e perfeita,
rainha cetrada das alturas, tonitruante poderosa, (25)
imperturbável que a tudo subjuga, destinada sina, ignívoma,
vida perpétua e providente imortal:
Tu és tudo isso, soberana, pois apenas tu fazes tudo!
Eia, deusa, suplico-te em hora bem afortunada:
traz  saudável paz, e o crescimento de todas as coisas. (30)


[Tradução: Rafael Brunhara - http://primeiros-escritos.blogspot.com.br]

11 de dez de 2014

Hino Órfico a Fortuna



Aproxime-se forte Fortuna, com a mente propícia
E rica abundância, à minha prece inclinada
Plácida e gentil Trivia, poderosa nomeada
Diana Imperial, nascida do famoso Plutão;
Inconquistada da humanidade, o louvor infinito é teu,
Sepulcral, o poder divino que amplamente vagueia!
Em ti, nossas várias vidas mortais são encontradas,
E alguns de ti em copiosa opulência abundam;
Enquanto outros choram tua mão avessa a abençoar,
Em toda a amargura de profunda angústia.
Esteja presente, Deusa, aos teus devotos,

E nos dê abundância com a mente benigna.

10 de dez de 2014

Hino Órfico ao Daemon, ou Gênio Pessoal





Tu, poderoso governante, pavoroso Dæmon, eu chamo,
Suave Jove, que dá vida e é a fonte de todos:
Grande Jove, tão vagante, terrível e forte,
A quem vingança e torturas terríveis pertencem.
A partir de ti a  humanidade em profusa riqueza abunda,
Quando te encontras alegre em suas habitações;
Ou passa através da vida aflito e sofredor,
Os necessitados meios da felicidade são por ti suprimidos.
Tu és, sozinho, dotado de poder ilimitado,
A manter as chaves da tristeza e alegria.
Oh santo, abençoado pai, ouve a minha prece,
Dispersa as sementes dos cuidados que consomem a vida;
Com mente favorável aos ritos sagrados compareça,
E dai aos meus dias um glorioso e abençoado final.


Tradução Katy de Mattos Frisvold (do original em inglês em SacredTexts.com)

9 de dez de 2014

Hino Órfico a Ares [Marte]



Magnânimo, inconquistável, estrepitoso Marte,
Em dardos e guerras sangrentas se alegra, 
Feroz e indomado, cujo poder magnânimo pode fazer
As paredes mais fortes de suas fundações abalarem:
Destruindo o rei mortal, contaminado com sangue, 
Satisfeito com o pavor e o estrondo tumultuado da guerra:
Tu, com sangue humano, e espadas, e lanças, deleita,
E a ruína terrível da louca luta selvagem.
Fique, furiosa contenda, e luta vingadora,
Cujas obras com desgraça amargam a vida humana;
A adorável Vênus e produção de Baco,
Para Ceres dê as armas do campo;
Incentive a paz, a obras suaves inclinadas.
E nos dê abundância, com a mente benigna.


Tradução Katy de Mattos Frisvold do original em inglês em sacred-texts.com


8 de dez de 2014

Consultas

Aviso: Devido a data de encerramento de atividades do Centercom Terapias Complementares, extraordinariamente atenderei em São Paulo no próximo dia 13/12 (2o sábado ao invés do 3o). Tenho somente poucas vagas disponíveis, desde que metade do dia já está programada com agendamentos, e assim, sugiro que os interessados nas minhas leituras de Tarot façam suas reservas pelos telefones (11) 5589-5375 ou 5589-9368 pois é o último dia de consultas do ano.

Hino Órfico a Lua


OUÇA, Deusa-Rainha, que difunde a luz prateada,
com seus chifres de Touro, vagando pela escuridão da Noite.
Com estrelas és cercada e de largo giro,
Tocha que se estende na noite, pelos céus cavalga.
Fêmea e Macho, com raios emprestados tu brilhas,
E agora, tão cheia, tende a declinar
Mãe das eras, Lua produtora de frutos,
De quem a orbe âmbar faz o meio-dia refletir-se na Noite:

Amante dos corcéis, esplêndida, Rainha da Noite,
Aquela que tudo vê, ornada com sua luz estrelada.
Amante da vigilância, inimiga das contendas,
Em paz se alegra, e numa vida prudente:
Belo lume da Noite, seu ornamento e amigo,

Que dá às obras da Natureza seu justo destino.
Rainha das estrelas, poderosa-esposa Diana, te saúdo!
Ornada com seu gracioso robe e brilhante véu,
Venha, abençoada Deusa, prudente, estrelada, brilhante,
Venha lâmpada lunar, com tua casta e esplêndida luz,
Reluza nestes ritos sagrados com raios prósperos
E satisfeita aceite a honra mística de teu suplicante.[1]

Ou ainda numa versão mais próxima do original grego:

Ouve-me, divina rainha lucífera, deusa Selene,
tauricorne  † Mene, notívaga, errante aérea,
da noite, dadófora, donzela, astro bom, Mene,
crescente e minguante, feminina e masculina,
luzente que ama cavalos, mãe do tempo [Khronos], frutífera, 
ambarina, de coração pesado, reluzente † na noite,
onividente que ama a vigília, florescente de belas estrelas,
que se agrada no repouso e na riqueza da noite.
a brilhadora caridosa, perfectiva, jóia da noite,
princesa das estrelas, de longo véu, circunvaga, a donzela em tudo sábia.
Vem, venturosa, benévola, astro bom, com tríplice fulgor
brilhante salva teus novos suplicantes, donzela.[2]






[1] Minha tradução a partir do inglês, apresentado em Sacred Texts (http://www.sacred-texts.com/cla/hoo/hoo13.htm)
[2] Tradução: Rafael Brunhara - http://primeiros-escritos.blogspot.com.br

7 de dez de 2014

Hino Órfico Ao Sol


Ouve-me, venturoso, onividente de olhos eternos,
Titã de áureo cintilar, Hipérion, luz celeste,
incansável gerado por si mesmo, doce visão aos vivos,
à esquerda engendraste a Aurora, à direita a Noite,
tempera as Estações [Horas] dançando com tuas quadrigas;
corredor, silvante, flâmeo de fúlgidos olhos, condutor do carro,
guiando entre rugentes turbilhões sem fim
aos pios leva o bem e aos ímpios, a cólera;
de áurea lira, detém o curso harmonioso do cosmo,
é quem aponta atos de valor, é o jovem que nutre as Horas;
imperador do cosmo, chilreante, correndo como fogo, circunvolvente,
Lucífero, de aparência vária, vital, frutuoso Peã,
viçoso sempre, límpido, pai do Tempo [Khronos], Zeus imortal,
claro, luz de todos,  olho circundante do cosmo,
a se extinguir e a brilhar em luzentes lindos raios.
Exemplo de justiça [Dikaiosyne], amigo das águas, senhor do cosmo,
guardião da lealdade, sempre supremo, auxiliador de todos,
olho da justiça [Dikaiosyne], luz da vida; ó cavaleiro,
com estridente açoite impelindo a tua quadriga,
ouve minhas palavras, e mostra a doce vida aos iniciados.

Tradução: Rafael Brunhara em http://www.nova-acropole.pt

6 de dez de 2014

Como fazer um Espelho Mágico

No workshop A Magia da Lua aprendemos a confeccionar e carregar um espelho mágico (ou "espelho negro") além de técnicas e exercícios de scrying. No final da aula começamos a dar um exemplo de como fazer um espelho mágico, mas nem poderíamos ter feito um espelho que pudesse ser utilizado porque o workshop sempre termina no domingo (dia do Sol), nada apropriado.

Resolvi então recomeçar o espelho em casa e postar aqui o passo a passo, até mesmo para ficar a referência para os outros estudantes. Obviamente, as principais instruções são dadas em classe, até mesmo porque seria irresponsável trabalhar-se com um espelho feito de qualquer jeito. Pode ser que não se tenha resultado, pode ser que dê - e aí é que mora o perigo, pois existem medidas de segurança para se trabalhar com um espelho, e até mesmo um antídoto para tratar das aflições que este tipo de trabalho pode trazer. 

Então é simples: se este tópico te interessa, convido o leitor a vir no meu workshop, nos dias dia 28/02 e 01/03, no Centercom Terapias em São Paulo ***informações e reservas: 11 5589-5375 e 5589-9368***. A propósito, este espelho vai ser sorteado no próximo workshop.

Primeiro, ah-hã... a tinta certa. Esmalte vitral preto! Passe uma mão deste esmalte e preste atenção porque seca muito, muito rápido. Eu sugiro ainda que se coloque separadamente num potinho a quantidade que você vai usar. Vá colocando no potinho aos poucos, conforme você usa. Você pode usar o solvente apropriado para diluir um pouquinho se a tinta for endurecendo muito rápido. Você vai aplicar só de um lado de espelho, ok?


Coloque o condensador fluídico ***o mais importante condensador*** na palma de uma mão e com a outra pegue um pincel e salpique o condensador (como se tivesse espanando pó), espalhando bem sobre toda a superfície do espelho. Faça isso quando o esmalte ainda estiver úmido. A intenção é grudar este condensador no vidro. Aplique mais esmalte. Na foto do exemplo, eu apliquei três mãos de esmalte. O efeito será o de "céu estrelado". A foto que você vê aqui ao lado é a do espelho em frente a uma lâmpada. Repare que quando a luz passa por trás do espelho negro, na frente dele os pontos que se parecem com estrelas surgem ali. Desligando a luz, você não vê nada. O espelho fica totalmente negro.

A foto a direita mostra a superfície seca do verso do espelho com o condensador fluídico. Repare que o condensador parece formar bolhinhas.



Você então vai trabalhar um condensador simbólico. Eu escolhi um daqueles que passei na apostila. Usei um carbono para artesanato para passar a figura para a base, que é do mesmo material que se fazem as bases de quadro, já que mandei cortar na vidraçaria, mas pode ser de outro material, como o versátil MDF. Com uma régua centralize bem a figura, use um fita adesiva para prender o carbono e o selo, desta forma você não desloca o material enquanto passa um lápis por cima. 
Daí então é só pintar com tinta acrílica. Acredito que tenha gente mais talentosa com isso do que eu, e como falamos no curso, quanto mais trabalho você despende no espelho, mais energia você está colocando nele e suas chances de que ele funcione adequadamente são então muito ampliadas.


Leva um tempinho para fazer o selo caprichado, em especial as letras. Veja agora como ficou. Deixei as duas peças secando e tirei esta foto. Eu resolvi deixar as peças sem colar porque eu não sei quem vai ganhar este espelho no sorteio, e se a pessoa vai querer usar este específico condensador simbólico. Fixei então o vidro sobre o espelho e prendi as duas peças com duas voltas de fita adesiva. Na borda, desde que o vidraceiro não foi muito caprichoso, eu usei cola quente com um cordão preto de couro para dar acabamento e simular uma moldura simples.


Para acompanhar e valorizar a peça, trabalhei em um suporte apropriado. Comprei a peça pronta em MDF e usei um pirógrafo para gravar este outro símbolo lunar. Fiz um rápido acabamento usando betume diluído em terebentina.

Eis aqui o resultado. Agora só precisa ser adequadamente purificado e carregado. Quem será o sortudo ou sortuda que vai ganhar?




Hino Órfico a Cronos [Saturno]


Vou postar aqui dois hinos para Saturno.
O primeiro é bem específico para talismãs [e não é Órfico, mas baseada em rituais astrológicos bem conhecidos entre praticantes de Magia Astrológica], e o segundo, órfico e de uso mais generalizado.

Hino I

Oh Tu, Senhor, cujo nome é poderoso, cuja aparência é formidável, cujo pneuma é elevado, oh Tu, Senhor Saturno, que és frio, seco, escuro, fazedor do bem e do mal, justo no amor, defensor dos juramentos, amigo, único, incomparável, rico em compreensão, impenetrável, defensor das promessas, cansado, indolente, que mantém a si mesmo em tribulação e tristeza, Tu que se retira dos amigos e da alegria, velho em anos, rico em astúcia, experiente, ladino, enganador, inteligente, compreensivo, tu que traz o acréscimo e que destrói, cujo desfavor traz miséria e cujo favor, felicidade: Eu lhe imploro, pai primevo, por suas grandes boas ações e nobres atributos, permita que este talismã acabe com a procrastinação, com o cansaço, os bloqueios, obstáculos e sistemas de crenças insalubres e traga imediata abundância, prosperidade e sucesso em todos os empreendimentos. Conceda para que ele me confira a solenidade necessária, a sobriedade, a aceitação, a obediência, a diligência, a disciplina, a estrutura, a estabilidade, a compreensão, o conhecimento de mim mesmo e dos meus limites, e todas as outras qualidades, características, habilidades, poderes e bênçãos de Saturno que preciso na minha vida, esfera, e arredores. Tu que estás no Sétimo Céu, eu vos invoco por todos os seus nomes: em árabe, Zohal [Zuhal], em latim, Saturnus, em persa, Keyhven [Kewan], em romano, Coronez [Kronos], em grego, Hacoronoz [Kronos], em sânscrito, Sacas [Sanasara], por todos os Teus nomes invoco-te. 


Hino II

Viçoso sempre, pai dos venturosos deuses e dos homens,
astuciador límpido de magna força, bravo Titã,
tu mesmo, que a tudo consomes e novamente fazes crescer,
inquebráveis os grilhões que deténs no cosmo sem fim,
eterno Cronos pai de todos, Cronos de variado falar, (5)
rebento da Terra [Gaia] e do Céu[Urano]constelado,
és a geração, o crescimento e o fim, marido de Reia, insigne Prometeu,
que habitas em todas as partes do cosmo, rei ancestral,
de curvo pensar, o melhor! Atendendo a minha súplice voz,
envias um fim de vida bem afortunado, para sempre impecável. (10)


[Tradução: Rafael Brunhara - http://primeiros-escritos.blogspot.com.br]

5 de dez de 2014

Hino Órfico a Afrodite [Vênus]

“Celeste (Urânia), ilustre rainha de risada amorosa,
Nascida do mar, amante da noite, de um modo terrível;
Astuciosa, de quem a necessidade [Anankê] primeiro veio,
Produtora e noturna, dama que a todos conecta;
Este é teu mundo a unir com harmonia,
Pois todas as coisas brotam de ti, Ó divino poder.
Os triplos Fados [Moiras] são regidos por teu decreto,
E todas as produções se rendem semelhantemente a ti:
O que quer que os céus circundem e contenham,
Toda a produção dos frutos da terra, e o alto-mar tempestuoso,
A ti o balanço confessa e obedece a teu aceno,
O atendente terrível do brumal Deus [Baco]:
Deusa do casamento, charmosa à visão,
Mãe dos Amores [Erotes], que se delicia em banquetes;
Fonte de persuasão [Peitho], secreta, rainha favorável,
Ilustremente nascida, aparente e não-vista:
Esposa, lupercal, e inclinada aos homens
Prolífica, a mais desejada, doadora de vida, gentil:
Grande portadora do cetro dos Deuses, é teu,
Mortais em necessidade tendem a se juntar;
E toda tribo de monstros selvagens horrendos
Em correntes mágicas amarras, através do desejo insano.

Venha, nascida em Chipre, e incline-se à minha prece,
Se exaltada nos céus tu brilhas,
Ou satisfeita com o templo em Síria presides,
Ou sobre as planícies egípcias teu carro guias,
Enfeitada de ouro; e perto dessa enchente sagrada,
Fértil e famosa por fixar teu domicílio abençoado;
Ou se rejubilando nos litorais cerúleos,
Próxima a onde o mar com espumantes vagalhões rugem
Os coros de mortais circundam tuas delícias,
Ou belas ninfas, com olhos de brilhante azul cerúleo,
Satisfeita com os bancos arenosos antigos renomados,
Para dirigir teu carro rápido e dourado de duas parelhas;
Ou se em Chipre com tua bela mãe,
Onde as mulheres casadas te louvam a cada ano,
E as belas virgens se unem ao coro,
O puro Adônis canta tua divindade;
Venha, toda atrativa, para a minha prece inclinada,
A ti, chamo, com mente sagrada e reverente.

4 de dez de 2014

Hino Órfico a Zeus [Júpiter]




De Zeus Fulgurante [Zeus Astrapaios]


Invoco o grande, puro, estrondante, notável,
aéreo, flamejante, correndo como fogo e ressoando no ar,
esplendor fulgurante das nuvens, com estrepitosa voz,
fremente e invencível, puro deus de pesada ira,
Zeus Fulgurante [Zeus Astrapaios], pai de todos e rei maior: (5)
benfazejo traze à minha vida um doce termo.


De Zeus Relampeante [Zeus Keraunos]


Zeus pai, que conduzes o alto curso do coruscante cosmo,
fulgurante no sublime resplendor de teu raio etéreo,
vibrando com trovões divinos a sede dos pan-venturosos,
abrasando todos os nebulosos fluxos de água com trovão flamante, 
lançando tormentas, chuvas, pujantes procelas, relâmpagos (5)
e encobrindo a terra com flechas em flamas rompentes,
todas em chamas, pujantes, frementes, brutais.
Terrível arma alada que perturba o coração, arrepiante,
súbita, trovejante, invencível e pura flecha,
de ímpeto voraz nos turbilhões das rajadas sem fim (10)
invulnerável e opressora procela irrepelível,
aguda flecha celeste que desce flamante,
toda brilhante,  faz fremer a terra, o mar
e as bestas aladas, quando ouvem teu fragor;
as luzes iluminam-lhe as faces,  o trovão estronda (15)
nos vales do Éter e rompe o véu
que reveste o céu; † és tu que lanças o relâmpago de fogo;
Vamos, venturoso, o coração (...) nas ondas do mar
e nos picos das montanhas, todos conhecemos teu poder;
alegra-te com as libações, e dá-nos tudo que faz bem ao espírito: (20)
uma vida próspera, com saúde soberana,
paz divina, nutriz de jovens, de muitas honras,
e uma existência feliz, sempre florida pela razão.



[Tradução: Rafael Brunhara - http://primeiros-escritos.blogspot.com.br]

3 de dez de 2014

Hino Órfico a Hermes [Mercúrio]



Ouve-me, Hermes, mensageiro de Zeus, filho de Maia,
com um peito onipotente; Deus dos jogos, regente dos mortais,
benévolo astuciador, emissário Argicida [Argeifontes]
de aladas sandálias, amigo dos homens e profeta da palavra aos mortais,
tu te alegras na ginástica e em ilusões ardilosas, serpentário (5)
intérprete de tudo, fonte dos lucros, alívio de nossos cuidados,
que tem nas mãos a impecável arma da paz;
Corício, venturoso provedor de variado falar,
auxiliador dos trabalhos, amigo dos mortais em necessidade,
terrível arma da linguagem,  venerável entre os homens: (10)
Ouve as minhas preces, e fornece o nobre fim de uma vida
de trabalhos, de gráceis palavras e lembranças.

[Tradução: Rafael Brunhara - http://primeiros-escritos.blogspot.com.br]

2 de dez de 2014

A Magia da Lua


Olá amigos e amigas que me acompanham por aqui!

Gostaria de agradecer o sucesso que foi o nosso workshop A Magia da Lua. Sucesso porque senti uma enorme satisfação em ver que mesmo com o público tão diverso houve um tremendo aproveitamento das aulas. Sucesso porque cada um de vocês trouxe um brilho especial àqueles dois dias de curso. Foi tão maravilhoso que vamos repetir a dose em Fevereiro!

Isto significa que vocês poderão fazer uma reciclagem do que aprenderam neste curso e também poderão convidar seus amigos para participarem dele.

Em breve vocês poderão contar com atualizações daqueles nossos calendários especiais (eu estou estudando um novo formato para eles) e dos hinos que prometi disponibilizar.

Desejo a todos vocês que abrilhantaram este Novembro, um Dezembro repleto de magia!

Um grande abraço em cada um de vocês!

Para quem perdeu o workshop, fique por dentro das atualizações clicando em "participar" no evento pelo Facebook 




20 de nov de 2014

Mansões Lunares, uma Introdução


Para provocar os ânimos do pessoal que ainda não se decidiu em participar do meu workshop: "A Magia da Lua", resolvi postar mais um teaser. Uma breve introdução às Mansões Lunares. Este será somente um dos muitos temas abordados neste workshop.


Introdução às Mansões Lunares

Guido Bonatti, em seu Animae Astrologiae, chama a Lua de Mediatrix, ou seja, de mediadora entre os Corpos Superiores e Inferiores, ressaltando sua grande influência na Terra dada à sua proximidade, similaridade e correspondência.

Muito freqüentemente as fases da Lua são usadas para marcar tempos, e particularmente o tempo de magia. Os astrólogos modernos geralmente não são familiarizados com o ciclo de Mansões Lunares, porque parte da tradição astrológica foi dissolvida ou descartada com o passar dos anos para abraçar tendências mais ligadas à psicologia do que à magia.

As Mansões Lunares, conhecidas como nakshastras, são componentes da astrologia Védica, mas se tornaram significantes na astrologia medieval árabe, que influenciou fortemente à Europa nos séculos XII e XIII.

No século XI o astrônomo e astrólogo árabe Al-Biruni[1] escreveu que, como no Zodíaco, o curso do Sol através do ano e que é dividido em doze signos, também havia o caminho mensal da Lua através das estrelas fixas que é dividido em vinte e oito estações: As Mansões da Lua. Desta forma podemos dizer que as Mansões Lunares são, de fato, um Zodíaco Lunar.

As Mansões Lunares árabes usadas pelos astrólogos e magos da era Medieval e Renascentista possuem vinte e oito divisões relacionadas à órbita da Lua, enquanto o sistema Védico possui vinte e sete.

A função destas Mansões pode ser dividida em duas: uma tem a ver com a seleção de um determinado momento apropriado para se fazer algo, e a outra, a mais usada pelos Magos e Astrólogos, era o de capturar a essência desta Mansão na forma de talismãs, estendendo-se assim o poder capturado em algo eternizado em um selo a ser carregado. Para darmos um exemplo, podemos mencionar que as Mansões 1, 5, 11, 13, 21 e 28 auxiliam em jornadas e viagens, enquanto a 9, 15 e 16 as prejudicam (sendo a 14 somente prejudicial em viagens terrestres). Se quisermos fazer uma viagem podemos selecionar o tempo onde a Lua estivesse em uma Mansão apropriada e evitar períodos onde a influência traria obstáculos. Contudo, ao confeccionarmos um talismã nas Mansões que facilitam as viagens, neutralizaríamos estes maus momentos caso precisássemos viajar durante uma Mansão inapropriada.

Neste workshop apresentarei a vocês um extrato destas Mansões como surgem no famoso grimório “Picatrix”, explicando suas funções, passando as imagens específicas para cada uma delas, o nome do Senhor de cada estação e uma forma de confeccionar os talismãs dentro de um ritual simples e direto.

Ainda não fez sua reserva? Ligue para  (11) 5589-5375 e 5589-9368
Mais informações podem ser obtidas através do evento do Facebook





[1] Al-Biruni, Book of Instructions in the Elements of Astrology 

27 de out de 2014

Espelho, espelho meu [1]

Aqueles que me acompanham pelo Facebook já estão sabendo que planejo ministrar um workshop sobre a Magia da Lua, que deve ocorrer agora em Novembro. Neste workshop pretendo abordar temas que geralmente escapam à percepção até mesmo dos adeptos da Lua como Deusa, dando a profundidade que o assunto merece. Vou falar sobre Marés e Ciclos de Poder, A Agricultura e sua conexão lunar (plantios e colheitas, por exemplo, como funciona a influência da lua). A Lua nos signos (finalmente para o pessoal entender o que é o raio da Lua no mapa natal), as Mansões Lunares e seus rituais (sim, como e para quê trabalhar as mansões). Vou trazer também um Lunário Perpétuo para que possamos analisar seu conteúdo e entender como o povo antigamente planejava suas vidas, vamos passar pelos horários planetários - e especificamente as horas planetárias noturnas e finalmente, o tópico mais esperado e que me deu vontade de publicar um teaser aqui: Espelhos Mágicos.

Como este blog já carrega um espelho em seu nome, nada mais justo que eu publique aqui uma breve introdução do material que trarei no curso, que visa não só dar um fundo histórico para embasar este aprendizado, mas também ensinar a confeccionar e usar um espelho mágico. Então vamos à esta introdução:

Hoje em dia, em nosso mundo moderno e industrializado, ninguém pensa no espelho como um objeto mágico. Eles são tão presentes em nosso dia a dia que são tratados como objetos comuns. Mas quem se lembra um pouco de sua infância deve ter na memória aquele dia frente a um espelho, onde ao fixar os olhos no reflexo, de súbito ser tomado por alguma inquietação no coração, com a sensação de estar diante de algo estranho. Quem nunca estranhou sua própria imagem mesmo com toda a sua familiaridade? Quem nunca teve um senso de perigo ou estranhamento ao perceber que há algo ali que “não pertence” ao que vemos deste lado?

Espelhos mágicos se mantêm misteriosos e desconhecidos mesmo dentre os círculos ocultistas. As pessoas preferem o uso do Tarot, runas, cristais ou outras ferramentas mágicas. Isso porque, embora espelhos possuam uma grande dignidade e eficiência dentro do arsenal mágico, eles têm uma aparência e reputação sinistras. Há, mesmo dentre os estudiosos das artes mágicas, aqueles que sentem algum temor em lidar com espelhos e suas imensas potências. Neste curso aprenderemos exatamente quais são os riscos de lidar com espelhos, bem como as formas mais seguras de lidar com eles. Mas antes disso, vamos entender bem para o que ele serve.

O espelho mágico é um portal que pode ser usado para a comunicação com espíritos e inteligências, como auxiliar nas projeções astrais e como forma de previsão. É uma ferramenta que desafia tempo e espaço, não encontrando limitações a não ser do seu próprio confinamento em uma simples moldura, aqui e agora, em nossas mãos. Da mesma forma, o espelho mágico pode ser a simples reflexão do seu subconsciente – o fluxo incessante de imagens e idéias puras, brutas e sem filtro que reside sob a nossa mente consciente, onde metade de toda magia acontece.

É possível também ligar o espelho a um espírito em particular – ao invés do uso de um vaso como é de prática comum entre os praticantes experientes do consórcio espiritual. Antigamente, a estes espíritos dava-se o nome de espíritos familiares, com os quais alegadamente as bruxas mantinham contato para que lhes aconselhassem ou que as confortassem, ou que dissessem sobre coisas que aconteciam em grandes distâncias, ou ainda que lhes mostrassem o futuro.

O preparo físico do espelho mágico – ou espelho negro como é também conhecido - é somente uma parte do seu preparo total: apenas 10% são manifestos no mundo sensorial e 90% ocultos sob a superfície do subconsciente.

A técnica de vidência com o espelho negro é chamada de “scrying”. A palavra scry é uma forma curta de “descry”, “ver” ou “perceber”.


O espelho não age só como uma janela para olharmos através, mas como um portal para lugares distantes e estranhos, tanto aqui na Terra como um planos sutis. Como “portal ou janela”, seu operador deve aprender a abri-las e também a fechá-las para se guardar de visitantes indesejados. Não só as imagens surgem ali, mas com prática, vozes podem ser percebidas através do vidro, e fluxos energéticos podem ser ativamente projetados com o uso de chaves simbólicas e congresso espiritual.

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Gostaram? Isso é só a introdução. Tem muito mais material, muita história, o passo a passo de tudo. Você não precisa ser um iniciado em nada para participar. Nem ter experiência no assunto.

Os interessados em aprender sobre este e os outros temas relacionados à Lua e Espelhos Mágicos devem ligar para (11) 5589-5375 ou 5589-9368. O workshop A Magia da Lua deve acontecer nos dias 29 e 30/11, sábado e domingo, no Centercom Terapias Complementares (próximo ao metrô São Judas). Prevejo que as vagas serão poucas, então reserve já a sua. 




6 de out de 2014

A Via

"Na época em que a vida na terra era plena,
ninguém dava nenhuma atenção aos homens dignos,
nem selecionava os homens capazes.
Os soberanos eram apenas os galhos mais altos das árvores,
e o povo era como cervos na floresta.
Eram honestos e corretos, sem imaginar
que estavam cumprindo com o seu dever.
Amavam-se mutuamente, e não sabiam que isto
se chamava amor ao próximo.
Não enganavam a ninguém, e, no entanto,
não sabiam ser homens de confiança.
Podia-se contar com eles, e
ignoravam que isto fosse a boa fé.
Viviam juntos livremente, dando e recebendo,
e não sabiam que eram homens de bom coração.
Por este motivo, seus feitos não foram narrados.
Não se constituíram em história."
A Via de Chuang Tzu